Painel 3 - As feiras medievais e as rotas de comércio: a reconstrução da Europa

Tópico 1 - Crescimento do comércio e rotas internacionais na Idade Média.

A queda do Império Romano modificou completamente a reordenação do comércio na Europa. Novos caminhos e novas cidades surgiram através de ligas de comerciantes que se organizavam para distribuir as mercadorias em feiras e em rotas de comércio bem definidas na Europa.

Mapa Mediterrâneo_Europa_África e Ásia_BDWebB
Mapa Mediterrâneo_Europa_África e Ásia_BDWebB

Centros de confluência mundiais - Desde o tempo da hegemonia romana no mundo, o comércio com a Europa possuía vários centros de confluência e de distribuição comercial importantes:

  • Constantinopla - para onde se dirigiam caravanas vindas do Oriente próximo, da África e de lugares tão distantes como China e Índia, todos confluindo para aquele centro comercial da Antiguidade.

  • Mar MediterrâneoCidades litorâneas - eram centros de distribuição, atendendo ao comércio marítimo litorâno tanto do lado norte africano como do lado sul europeu. Eram cidades que viviam de comércio e se transformaram em grandes empórios comerciais na África ou na Europa, incluindo-se, entre elas Lisboa, Amsterdã e Londres.

  • Roma – Ao longo de todo seu império Roma era o grande centro comercial da Antiguidade.  

  • Após a queda de Roma: no século VI, outras cidades italianas – Veneza, Gênova, e outras – iniciaram contatos com comerciantes do norte da África e garantiram monopólio de comércio de especiarias e demais produtos do Oriente, se tornando elas próprias os principais centros comerciais da Europa ainda na Idade Média.

Roma caiu. Que aconteceu com as rotas de comércio que funcionavam através de Roma?

Hordas de Alarico e a Queda de Roma_BDWebB
Hordas de Alarico e a Queda de Roma_BDWebB

Cessa imediatamente o comércio do Ocidente através de Roma com o Oriente após a Queda de Roma.

  • Estradas inseguras - As cidades européias perderam suas características de centros de negócios e de segurança, uma vez que os poderes locais se fragmentaram e com eles os controles das vias de acesso às cidades.

  • Invasões bárbaras - Bárbaros invadiram e conquistaram as cidades, já que não mais existia um exército romano para defendê-las.

  • Afluxo de piratas - Piratas infestavam o mar Mediterrâneo, o que muito afetava os mercadores.

  • Invasões no litoral - Invasões, vandalismo, rapina eram comuns nas cidades litorâneas, especialmente européias, empreendidas por piratas de diversas procedências.

  • Século IX - Aos poucos, muito lentamente, em três séculos que se seguiram à queda de Roma, as cidades foram estabelecendo linhas de defesa, se organizando, retomando padrões de produção, mesmo que de forma ainda muito incipiente e, pouco a pouco, o comércio se irá organizar em pequenas feiras nos burgos e no cruzamento de estradas.

Conheça alguns truques dos piratas do mar Mediterrâneo.

 

> Qual o tipo de barco?

> A diferença entre um  pirata do mar Mediterrâneo e um do Caribe.

> A era de ouro da pirataria.

> As cidades controladas por piratas.

 

Ler mais:

http://piratas-dos-sete-mares.blogspot.com.br/2011/07/os-verdadeiros-barcos-piratas.html

http://prof-tathy.blogspot.com.br/2009/09/historia-da-pirataria.html

A partir do Império de Carlos Magno, as rotas marítimas foram restabelecidas.

Europa na Época de Carlos Magno_BDWebB
Europa na Época de Carlos Magno_BDWebB

Império de Carlos Magno - A partir do império de Carlos Magno, em 800, as rotas internacionais foram pouco a pouco restabelecidas com o objetivo de atender o mercado europeu de especiarias vindas do Oriente.

 

 

  • Renascimento Carolíngio - Pouco a pouco, entretanto, na medida em que as relações políticas e societárias vão se restabelecendo, pequenos renascimentos comerciais e culturais ocorrem, sendo o mais importante o Renascimento Carolíngio no século IX. Isto indica que as relações societárias se solidificavam e, pouco a pouco, as cidades e o comércio revivem. A Idade Média entra numa nova fase onde o comércio predomina e se impõe a partir do século IX.

  • Relações de feudalismo reorganizam as sociedades - As sociedades retomam aos seus padrões de organização. Comerciantes e corporações de ofício, poderes eclesiásticos e os senhores feudais estabelecem padrões de alianças possíveis.

  • Condições de uma sociedade feudal - As condições da sociedade europeia da Idade Média são, no entanto, muito carentes. Não há indústrias, não há integração de serviços administrativos, de justiça, de impostos devido aos privilégios dos senhores feudais. Burgueses, comerciantes e mesmo a realeza buscam se reafirmar através dos recursos que podem gerar nas cidades e de diversos tipos de aliança. 

Vamos analisar, ao longo do tempo as modificações na sociedade européia:

Rotas de comércio na Idade Média_BDWEbB
Rotas de comércio na Idade Média_BDWEbB
  • Aumento da pressão demográfica imprime novas condições de produção e novas condições de vida, refletindo-se nas cidades e nas atividades comerciais que cresceram bastante.

  • Ampliação das rotas comerciais - Pouco a pouco tivemos o restabelecimento e a ampliação das chamadas rotas comerciais oriente/ocidente e, especialmente, o aumento do comércio das cidades litorâneas do Mediterrâneo.

  • Papel das cidades italianas - que irão reiniciar os contatos com os mercadores do oriente, através de Constantinopla, assegurando a distribuição de mercadorias diversas e de luxo e especiarias na Europa de uma forma monopolística.

Documento financeiro da época_BDWebB
Documento financeiro da época_BDWebB

Renascimento do comércio

 

Séculos XII e XIII - este processo de renascimento do comércio fez com que alguns instrumentos e práticas fossem desenvolvidos:

 

a) Reaparecimento de moeda, bancos e instrumentos de crédito.

b) Intensificação das feiras e mercados.

  1. Desenvolvimento de novas rotas comerciais.

  2. Urbanização de portos e cidades.

  3. Sistemas de defesa de cidades, de grandes associações comerciais ou hansas.

  4. Reordenações jurídicas e convergência de interesses entre a realeza e a burguesia.

 

  • Ampliação do comércio - O comércio, portanto, passando a gerar riquezas de uma forma rápida e crescente, atraiu e ampliou a atenção dos burgueses e das corporações de ofício que expandem seus negócios em associações de comércio.

Tópico 2 - Modificações no sistema feudal

Aos poucos a sociedade da Idade Média se modificava. As novas oportunidades de riquezas comerciais e a demanda aos produtos agrícolas fizeram com que muitos servos se tornassem homens livres. O sistema feudal, baseado na terra, imobilista, agrícola, começa a dar sinais de decadência e ser pouco a pouco substituído por um sistema comercial e industrial mais dinâmico.

Trovador e alaúde_BDWebB
Trovador e alaúde_BDWebB

Modificações podem ser constatadas na sociedade feudal a partir do século IX:

 

  • Modo de vida nas cidades - Os homens livres, antigos camponeses servos e vilões, começam a ter um modo próprio de vida nas cidades que os atrai como uma fonte de oportunidades em produção artesanal, através de salários ou em comércio.

 

  • Deslocamento do poder - O poder se desloca do castelo do senhor feudal passando a ser dividido com os burgueses que detinham recursos financeiros nas cidades, onde novas atividades surgem, e para onde migram os servos, abandonando o campo que se encontra em crise.

Mapa da diversidade na Europa_BDWebB
Mapa da diversidade na Europa_BDWebB
  • Desbravamento de novas terras para o cultivo - Há ainda a abertura de novas terras para cultivo, por desmatamento de florestas ou drenagem de pântanos, já que há necessidade de mais produção de excedentes agrícolas é imperiosa nas cidades cuja população cresce.

 

  • Arrendamento de terras - Posteriormente, a carência de recursos dos nobres feudais fez com que arrendassem terras aos antigos camponeses, agora arrendatários, produtores e, em seguida, comerciantes de excedentes agrícolas nas feiras das cidades.

  • A Peste Negra no século XIV - fez com que menos camponeses estivessem disponíveis para o cultivo, havendo uma tendência a libertar os camponeses para que se conseguissem pessoas no trabalho, agora pago.

Tópico 3 - As rotas comerciais na Europa

Pouco a pouco a Europa se reconstruiu e se organizaram sociedades comerciais para venda de excedentes de produtos e importação de mercadorias que não existiam na Europa, as especiarias.  Inicia-se um ciclo de exploração das feiras e de rotas comerciais, em torno das quais nascem  novas cidades.

Rotas comerciqais na Idade Média_BDWebB
Rotas comerciqais na Idade Média_BDWebB
Comércio_Idade Média e Renascença_BDWebB
Comércio_Idade Média e Renascença_BDWebB

Algumas rotas comerciais se destacam, entre outras:

 

  • Rota do mar Báltico ao mar do Norte – envolvendo a Escandinávia, a Alemanha, Flandres e Inglaterra. Formadas por associações comerciais denominadas hansas, entre elas a Liga Hanseática ou Teutônica, era uma das mais fortes ligas comerciais de todos os tempos, envolvendo governos de cidades (160) e de países, bem como sua nascente burguesia comercial.

 

  • Rota de Champagne – esta rota comercial englobava as planícies do leste da França de Flandres ao norte até a Itália ao sul. A rota de Champagne era composta de diversas feiras medievais, muitas das quais se transformaram em cidades, sendo esta rota destruída, no fim da Idade Média pela Guerra dos 100 anos entre Inglaterra e França (1337/1443) e o comércio passando para a rota Mediterrâneo/Atlântico/ mar do Norte.

 

  • Rota do mar Mediterrâneo/Atlântico/mar do Norte – esta rota comercial incluía o mar Mediterrâneo e todas as cidades litorâneas, bem como o Oceano Atlântico e o mar do Norte. Sua importância pode ser medida em função da prosperidade das cidades litorâneas do Mediterrâneo e do Atlântico Norte (entre elas Lisboa e Porto), o surgimento de uma burguesia comercial forte nestas cidades e o impulso às Grandes Navegações no século XIV.

Tópico 4 - Renascimento urbano na Europa

Em consequência deste processo de reativação do comércio, podemos observar inúmeras mudanças que se caracterizaram como reativação das atividades econômicas, novas alianças no plano político e novas técnicas capazes de mudar o panorama dos locais onde eram empregados, em toda Europa.

Hoje, quando você entra na oficina de um sapateiro, está entrando num tipo de comércio artesanal muito parecido com o do sapateiro da Idade Média.

Ambiente da Idade Média_BDWebB
Ambiente da Idade Média_BDWebB

Desenvolvimento do comércio e das cidades a partir do século IX.

 

Podemos perceber o Renascimento urbano nos seguintes eventos:

 

  • Surgimento da burguesia - Aparecimento, fortalecimento e consolidação da burguesia comercial nas principais cidades europeias.

 

  • Homens livres, feiras e mercados - Cada vez mais homens livres se dedicavam ao comércio ou as manufaturas nascentes em todas as cidades da Europa, à medida que as cidades cresciam em importância no plano comercial com as feiras e mercados.

 

  • Crescimento da produção artesanal e de manufaturados - Cresciam também as corporações de ofício e os grêmios profissionais, procurando regular a produção segundo certos princípios de qualidade e garantir corporativamente a reserva de mercado para cada produto manufaturado.

 

  • Independência das cidades face aos senhores feudais - Também a ampliação e o crescimento das cidades vieram mostrar o quanto as cidades se independiam dos senhores feudais, tradicionalmente pertencentes ao campo.

Por que o sistema feudal começou a declinar ao final do século XIV? Várias causas. Observe.

Problemas que o sistema feudal causava ao desenvolvimento comercial da sociedade: encarecimento dos produtos e barreiras comerciais.

A Idade Média e seu imobilismo social_BDWebB
A Idade Média e seu imobilismo social_BDWebB

Os problemas causados pelo feudalismo à estrutura comercial.

 

  • Entraves causados pelo feudalismo ao progresso comercial - Com o crescimento da produção e do comércio nas cidades, podemos ver que os problemas criados pelos senhores feudais, desde a limitação da autoridade real até os mais sérios entraves criados ao desenvolvimento do comércio das cidades, tais como:

 

  • Pesos e medidas - Estipulação de pesos e medidas diversos entre regiões, o que dificultava as tarifas comerciais.

 

  • Uso de camponeses como soldados - Arregimentação de tropas entre camponeses, impedindo um processo de produção de subsistência extremamente frágil.

 

  • Impostos diversos, moedas e padrões variados entre diversas regiões complicavam o comércio, o que impedia a padronização e o cálculo de custos das mercadorias.

 

  • Legislação e aplicação de justiça ineficaz - Legislação e aplicação de justiça totalmente ineficaz na forma como era exercida pelos nobres feudais e mesmo pela igreja, criando sérios problemas sociais que são objeto de questionamento por burgueses, pela realeza e pelas corporações de ofício, causando sérios prejuízos ao comércio em crescimento.

François Ier, monarca francês_BDWebB
François Ier, monarca francês_BDWebB

 

O fortalecimento da realeza

 

  • Aliança entre realeza e burguesia - Todos estes fatores levaram o regime feudal a uma situação de total instabilidade, criando condições para novas alianças no plano político entre a realeza e a burguesia.

 

  • Centralização promovida pela burguesia - A realeza, centralizadora, estipulou as condições para a centralização de:

  • tributos;

  • moeda;

  • exército;

  • legislação;

  • segurança e ordem pública;

  • aplicação de justiça;

  • administração comum dos negócios públicos.

Frasco de perfume filigranado do final da Idade Média_BDWebB
Frasco de perfume filigranado do final da Idade Média_BDWebB
  • Financiamento do reino pela burguesia - Coube à burguesia, neste processo de aliança com a realeza, o financiamento deste processo de fortalecimento do poder real contra monopólios que passou a explorar, concedidos pelo Rei.

 

  • Desenvolvimento de novos processos tecnológicos - Paralelamente a este processo, novos processos tecnológicos, especificamente guerreiros, destruíram o poder feudal construído à base de relações de suserania e vassalagem: o aparecimento de exércitos profissionais, as armas de fogo, a infantaria e a artilharia que acabaram por superar a cavalaria feudal.

Caravela portuguesa no Timor_BDWebB
Caravela portuguesa no Timor_BDWebB

Caminho aberto às Grandes Navegações

 

  • Situação do monopólio italiano e demais países - A situação de monopólio das cidades italianas era, por certo, um entrave ao crescimento de países europeus como, por exemplo, Espanha, França e Inglaterra e Portugal.

 

  • Estratégia de desenvolvimento dos portugueses - Portugal que, em 1415, iniciara a conquista de Ceuta, na África e tentava chegar às Índias costeando a África, sabendo da importância estratégica de um caminho para as Índias através de navegação ao invés de por caravanas terrestres, que era o modo como chegavam as mercadorias à Constantinopla, sendo daí negociadas com os italianos, sempre em bases monopolistas e distribuídos na Europa com preços altíssimos. 

 

Sucesso da estratégia portuguesa - Ao longo do século XV, Portugal, costeando à África chegou às Índias e, com apenas uma caravela que retornou, conseguiu um lucro de 6000% sobre o capital investido em quatro caravelas e 148 homens.

 

Estava aberto o caminho para as Índias e as Grandes Navegações se tornaram o fato marcante dos séculos XIV, XV, XVI e XVII.

As navegações portuguesas. Caravelas e naus, um choque tecnológico.

Entrar em Exercício-Painel 3


                Retornar à Área de Testes.